Governo vai exigir produtividade de médicos do serviço público

"Vamos parar de fingir que a gente paga médicos, e o médico fingir que trabalha", diz o ministro; biometria será implantada

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O Ministério da Saúde vai usar a biometria para controlar a jornada de trabalho dos médicos que atuam na rede pública.

A ideia é implantar o sistema em todas as unidades básicas de saúde de forma a acompanhar horas trabalhadas e, simultaneamente, criar um controle de produtividade, com metas de atendimento que terão de ser cumpridas. “Vamos parar de fingir que a gente paga médicos e o médico parar de fingir que trabalha. Isso não está ajudando a saúde do Brasil”, disse o ministro nesta quinta-feira, 13.

As metas de produtividade ainda estão discussão. O plano inicial é estabelecer critérios de acordo com a atividade. Consultas, por exemplo, deverão obedecer o padrão recomendado pela Organização Mundial de Saúde: com no mínimo 15 minutos de duração. Os dois critérios adotados de forma conjunta têm como objetivo evitar, por exemplo, que o profissional apresse o atendimento para ir embora da unidade mais cedo, informou Barros.

Um médico que tem quatro horas de jornada, por exemplo. Ele pode dedicar cinco minutos para cada paciente e ir embora. Temos de ter uma média de desempenho”, defendeu. De acordo com ministro, aqueles que não cumprirem a jornada de trabalho estarão sujeitos a processo administrativo.

Barros afirmou que a estratégia visa a reduzir uma prática que ele diz ser comum atualmente no serviço público: profissionais acumularem empregos e, para conciliar todas as atividades, acabarem ficando menos tempo que o devido no serviço público.

A biometria integra uma das políticas ditas por Barros como prioritárias de sua gestão, a informatização do SUS. Para tentar agilizar esse processo, a pasta deverá arcar com 50% dos gastos de prefeituras com a contratação de empresas de informática. A meta é que todas as unidades básicas estejam informatizadas até o fim do ano.

O Ministério da Saúde não soube informar quantos serviços contam atualmente com a biometria. Experiências foram relatadas em Goiânia, Maceió e na cidade paranaense de Pinhais. De acordo com Barros, nas cidades em que o sistema já está em funcionamento, metade dos médicos pede demissão.

Eles têm vários trabalhos e acabam abandonando o serviço quando há maior controle da jornada“, disse. De acordo com Barros, a média de comparecimento de médicos identificada até o momento é de 30%. “Isso vai mudar com a biometria”, completou.

De O Estado via CRN Imprensa

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