Polícia prende dois donos da Telexfree por suspeita de ocultar recursos

Sócios que foram levados para sistema prisional tem imóveis no nome de laranjas, aponta investigações da PF. A Telexfree fez mais de 1 milhão de vítimas bacou festas milionárias como show do ex-Beatle, Paul MacCartney com cachê de R$ 8 milhões.

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De Uol, em Curitiba e A Gazeta, via Caicó na Rota da Notícia

Carlos Costa e Carlos Wanzeler, donos da Telexfree, foram presos na manhã desta terça-feira (17) durante a operação Alnilam da Polícia Federal. A operação investiga suposta ocultação de valores obtidos com as atividades da empresa. A Telexfree foi considerada pela Justiça como uma pirâmide financeira, com mais de 1 milhão de vítimas

A prisão, que é preventiva, foi confirmada ao UOL pela PF e pelo Ministério Público Federal do Espírito Santo (MPF-ES), bem como pelo advogado dos dois, Rafael Freitas de Lima. No total, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e dois de prisão nas casas dos empresários, nos municípios de Vitória e Vila Velha, na Grande Vitória (ES).

Pirâmide financeira: o que é, como identificar e o que fazer se for vítima
Segundo a PF, há indícios de que os dois estejam ocultando recursos da Telexfree por meio da compra de imóveis em nome de terceiros. Esses imóveis, posteriormente, teriam sido alugados, gerando renda para os dois.

Advogado de empresários diz que fatos são antigos

O advogado Rafael Freitas de Lima disse à reportagem que não consegue entender o motivo da prisão. “Esses fatos citados pela PF são antigos e já conhecidos desde a segunda fase da operação Orion. Além disso, os dois sócios não foram sentenciados em nenhum dos processos que respondem na Justiça“.

A segunda fase da operação Orion foi deflagrada pela PF em outubro de 2014 com objetivo de aprofundar as investigações sobre a Telexfree. Na ocasião, cerca de 20 policiais e 12 servidores da Receita Federal cumpriram quatro mandados de busca e apreensão na sede da empresa, em Vitória, e na casa dos membros. Além disso, foram autorizados sequestros e bloqueios de bens.

Entenda o caso

A Telexfree começou a atuar no Brasil em 2012 vendendo pacotes de telefonia via internet (VoIP). Em 2015, a Justiça do Acre apontou a empresa como uma pirâmide financeira. Neste ano, a Justiça do Espírito Santo decretou a falência do negócio. A dívida é de R$ 2 bilhões e o número de vítimas passa de 1 milhão.

A prática de pirâmide financeira é proibida no Brasil e configura crime contra a economia popular (Lei 1.521/51). Com promessas de retorno expressivo em pouco tempo, os esquemas de pirâmide financeira são considerados ilegais porque só são vantajosos enquanto atraem novos investidores. Assim que os aplicadores param de entrar, o esquema não tem como cobrir os retornos prometidos e entra em colapso.

Donos da Telexfre são conduzidos para presídio para cumprir prisão preventiva

Data: 17/12/2019 – ES – Vitória – Carlos Costa, e Carlos Wanzeler, chefão da Telexfree, chegando no DMl para fazer exame de corpo delito, após ser preso pela Policia Federal – Editoria: Economia – Foto: Ricardo Medeiros – GZ. Crédito: Ricardo Medeiros
Carlos Costa e Carlos Wanzeler saindo no DML para fazer exame de corpo delito, após serem presos pela Policia Federal – . Crédito: Ricardo Medeiros.

Segundo informações da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), que administra o sistema penitenciário do Estado, Costa e Wanzeler chegaram às 17h30 ao Complexo Penitenciário de Viana. Em seguida eles foram conduzidos para celas do Centro de Detenção Provisória de Viana II (CDPVII), onde vão cumprir a sua prisão preventiva, quando não há prazo definido para a suspensão do mandado de prisão.

Não há informações se Costa e Wanzeler vão dividir uma cela ou com quem irão partilhar o espaço. No momento da prisão Carlos  Costa estava em seu apartamento na Praia da Costa, em Vila Velha, e Wanzeler seguia para a academia. Eles foram encaminhados ao Departamento Médico Legal (DML) para exames, antes de serem encaminhados ao presídio.

Telexfree bancou show milionário de ex -Beatle Paul MacCartney no Brasil, algo em torno de R$ 15 milhões.

Se eu não tivesse aceitado a proposta deles (Carlos Costa e Carlos Wanzeler), o Espírito Santo teria perdido o show de Paul McCartney“. A afirmação é do empresário Flávio Salles, sócio minoritário da empresa responsável pela vinda do ex-Beatle ao Estado.

Flavio Salles, era sócio da Capixaba Eventos (empresa que trouxe o show de Paul McCartney) com investimentos da Telexfree. Crédito: Divulgação

Flávio diz que desconhecia os problemas da Telexfree, bem como o fato de os recursos dela e de seus sócios já estarem bloqueados pela Justiça do Acre desde 2013. Também frisou não imaginar que os investimentos destinados ao show pudessem ter origem ilícita.

CACHÊ EM CHEQUE

O empresário de Paul McCartney, Barrie Marshall, explicou para A Gazeta que contratos e investimentos para a apresentação da estrela no Brasil couberam ao produtor brasileiro do show, Luiz Oscar Niemeyer Soares, que na época era sócio da Planmusic. “Eles (a Planmusic) cumpriram todos os compromissos contratuais”, disse o fundador da Marshal Arts, empresa com sedes em Los Angeles e Londres.

Ao ser apresentado às descobertas de A Gazeta sobre os investidores por trás da apresentação do ex-Beatle no Espírito Santo, Niemeyer, que há anos é o contato no Brasil de Barrie Marshall, disse estar totalmente surpreso. Ele afirma não saber a origem dos recursos usados para pagar o cachê.

Só confirma que foi feito um depósito em cheque na conta da empresa da qual era sócio na ocasião do show. O valor preciso não foi divulgado, mas o pagamento à estrela ficou na casa dos R$ 8 milhões. Ao todo, estima-se que o custo do evento tenha superado os R$ 15 milhões.

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